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segunda-feira, 25 de março de 2013

Noites de Tormenta



Três anos antes, numa manhã quente de Novembro de 1999, Adrienne
Willis tinha voltado à estalagem e percebera que, pelo menos à primeira vista, o
lugar se tinha mantido sem alteração, como se aquela pequena construção fosse
imune aos efeitos do sol, das areias e da humidade salina. O alpendre estava
pintado de fresco e as janelas de ambos os pisos, com as suas cortinas brancas,
eram emolduradas por caixilhos pintados de preto brilhante, pelo que o conjunto
parecia imitar o teclado de um piano. As paredes laterais eram da cor da neve suja.
De ambos os lados da construção abundava a aveia silvestre, cujos caules pareciam
dobrar-se em saudações constantes, e a areia formava uma duna que ia mudando
imperceptivelmente de forma graças aos grãos que o vento fazia deslocar de uns
pontos para os outros em cada dia que passava.

Com os raios de sol a penetrarem por entre as nuvens, o ar apresentava um
aspecto luminoso, como se, por momentos, as partículas de luz tivessem ficado
suspensas na neblina, fazendo Adrienne sentir-se regressada a uma época anterior
da sua vida. Porém, olhando mais de perto, verificou que os trabalhos de
manutenção não conseguiam esconder totalmente as alterações: as zonas
apodrecidas nos cantos das janelas, as marcas de ferrugem ao longo do telhado, as
manchas de humidade junto dos algerozes. Parecera-lhe que a estalagem estava a
encolher e, embora reconhecendo não poder fazer nada para o evitar, Adrienne
lembrara-se de fechar os olhos, como se por um qualquer passe de mágica ela
conseguisse que o edifício voltasse a ser como fora antes




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