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quinta-feira, 28 de março de 2013

Madame Bovary


Estávamos na sala de estudo quando o director entrou, seguido de um caloiro sem uniforme e de um contínuo que transportava uma grande carteira. Os que estavam a dormir acordaram e todos se puseram de pé como se tivessem sido surpreendidos a trabalhar.
O director fez sinal para que nos sentássemos novamente; depois, voltando-se para o encarregado de vigiar os estudos: - Senhor Roger - disse-lhe a meia voz -, aqui tem um aluno que lhe recomendo; entra para a 5a classe. Se for aplicado e tiver bom comportamento, passará para os mais crescidos, de
acordo com a sua idade.
O caloiro, que ficara no canto atrás da porta, de tal modo que mal o conseguíamos ver, era um rapaz do campo, com cerca de quinze anos e mais alto do que qualquer de nós. Tinha o cabelo cortado a direito sobre a testa, como o dos que cantavam no coro da igreja, e mostrava um ar sisudo e muito acanhado. Embora não fosse largo de ombros, o fato de tecido verde e botões pretos devia ficar-Lhe apertado debaixo dos braços e deixava ver, pelas aberturas das mangas, uns pulsos vermelhos habituados a andar despidos. As pernas, com meias azuis, saíam-lhe de umas calças amareladas, repuxadas pelos suspensórios. Calçava sapatos grossos, cardados e mal engraxados.
Começámos a recitar as lições. Ele escutou com toda a atenção





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