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sexta-feira, 18 de maio de 2012

Chamas Noturnas 04


Fogo. Purificava. Destruía. Com seu calor, podia salvar vidas. Ou perder. Era uma das grandes descobertas do homem, e um de seus principais medos. 
Uma de suas fascinações. 
As mães advertiam a seus filhos para não brincarem com fósforos, para não tocarem o resplendor vermelho da cozinha. Pois independentemente da beleza da chama, ou quão sedutor fosse seu calor, o fogo queimaria a pele. 
Na lareira, era romântico, acolhedor, alegre e dançante, projetando uma fumaça aromática e uma suave luz dourada. Os anciãos sonhavam junto a ele. Os amantes se cortejavam a seu lado.



No acampamento, lançava suas chispas a um céu estrelado, tentando aos meninos a assar seus mashimallos enquanto tremiam ouvindo histórias de fantasmas. Existiam pedaços escuros e perdidos da cidade onde os sem tetos uniam suas mãos geladas sobre fogo aceso em tambores, as faces cansadas à luz entre sombras, as mentes embotadas demais para terem sonhos. 
Na cidade de Urbana, havia fogo demais. 
Um cigarro caído descuidadamente ardia num colchão. Um cabo defeituoso que tinha passado a um olhar desatento ou simplesmente deixado lá por um inspetor corrupto. Um aquecedor de querosene próximo das cortinas. O resplendor do relâmpago. Uma vela esquecida.
Tudo isso podia provocar a destruição da propriedade, a perda de vidas. A ignorância, um acidente, um ato de Deus. 

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